Artigo | 10 anos de Homem de Ferro

Há exatamente 10 anos, mais precisamente no dia 2 de maio de 2008, entrava em cartaz um filme que mudaria o consenso de filmes de super heróis e elevaria o nível deste tipo de produção. Homem de Ferro chegava com tudo aos cinemas de todo o mundo e daria início ao Universo CinematográficoMarvel (MCU, na sigla em inglês), uma das maiores franquias de filmes de todos os tempos.

Quem hoje vê o sucesso de Tony Stark, nem imagina que o filme sobre um gênio, bilionário, playboy e filantropo que construiu uma armadura de alta tecnologia para combater o crime demorou mais ou menos 28 anos para ficar pronto.




O personagem criado em 1963 pelo escritor Stan Lee, o roteirista Larry Lieber, e os desenhistas Jack Kirby e Don Heck para a Marvel Comics teve o seu primeiro esboço cinematográfico no início de 1990.

No mês de abril daquele ano a Universal Studios comprou os direitos de Homem de Ferro, para adaptar a história do herói para o cinema. Stuart Gordon tinha sido o escolhido para dirigir o filme, mas o projeto acabou não vingando.

Em fevereiro de 1996, a 20th Century Fox adquiriu os direitos do personagem e pouco tempo depois Nicolas Cage demonstrou interesse no papel, mas a ideia não foi adiante. Então em 1998, o longa sobre Tony Stark parecia que finalmente iria vingar. Tom Cruise mostrou interesse em produzir e estrelar um filme do Homem de Ferro. A Fox pediu que Stan Lee e Jeff Vintar criassem um roteiro, que posteriormente seria modificado por Jeffrey Caine. Ainda assim, nada aconteceu.

Em 1999, Quentin Tarantino foi abordado para ver se ele poderia fazer as coisas funcionarem, mas novamente nada ocorreu. Nos anos 2000, a New Line Cinema adquiriu os direitos do personagem e chegou a escalar Nick Cassavetes para dirigir o filme, que teria um confronto entre Tony e Howard seu pai, que usaria o traje do Máquina de Combate. Depois de anos de desenvolvimento, o projeto acabou não saindo do papel e a New Line Cinema devolveu os direitos cinematográficos para a Marvel.



No ano de 2005, já detentora dos direitos cinematográficos de Homem de Ferro, a Marvel Studios decidiu que Tony Stark seria o personagem principal daquele que seria o seu primeiro filme independente.

Sem grandes dificuldades a Casa das Ideias definiu que Jon Fraveau seria o diretor do filme. Em contrapartida a empresa teve alguns problemas para encontrar um roteirista, já que segundo o produtor Jeremy Latcham “fomos atrás de cerca de 30 roteiristas e todos passaram”.

A desconfiança em relação ao filme aconteceu porque este seria o primeiro longa que a Marvel Studios produziria sozinha, sem ajuda de nenhum outro estúdio. Levando em consideração também que até aquele momento o Homem de Ferro não era o personagem mais popular da Empresa.

Aliás, a aposta foi muito arriscada porque a empresa estava à beira da falência anos antes, então foi necessário um acordo com o banco Merrill Lynch, formado por investidores de Wall Street. O acerto deu ao estúdio o acesso a uma quantia de US$ 525 milhões, que seriam utilizados para produzir até 10 filmes. Foi com esse dinheiro que os direitos de adaptação de alguns personagens foram comprados, como por exemplo, Hulk e a Viúva Negra que retornaram a Marvel e poderiam estrelar suas próprias produções.



Lembrando que se o projeto falhasse, a Marvel teria que pagar o empréstimo entregando os direitos de alguns de seus personagens mais valiosos, como Thor e Capitão América. Felizmente o filme foi bem aceito pelo público como também pela crítica e se tornou um sucesso.

Finalmente a Marvel Studios conseguiu contratar pessoas que dessem rumo à história do personagem no cinema. Art Marcum e Matt Holloway foram contratados para escreverem o roteiro, enquanto Mark Fergus e Hawk Ostby escreveram outra versão, com Favreau compilando os roteiros das duas equipes, e John August depois "polindo" uma versão combinada.

O filme que conta a história de Tony Stark (Robert Downey Jr.) um industrial bilionário, que também é um brilhante inventor. Que ao ser sequestrado, ele é obrigado por terroristas a construir uma arma devastadora, mas, ao invés disto, constrói uma armadura de alta tecnologia que permite que fuja de seu cativeiro. A partir de então ele passa a usá-la para combater o crime, sob o alter-ego do Homem de Ferro.

A produção foi orçada em US$ 140 milhões e tinha em seu elenco principal estrelas como: Robert Downey Jr., Terrence Howard, Jeff Bridges, Shaun Toub e Gwyneth Paltrow.

A primeira empreitada da Marvel no cinema rendeu uma bilheteria de US$ 585 milhões mundialmente. Hoje esse valor não aparenta ser tão assustar assim, mas para a época os únicos filmes baseados em heróis de quadrinhos que fizeram uma quantia maior do que essa foi à trilogia do Homem-Aranha dirigido por Sam Raimi.  



Um dos fatores para o sucesso de Homem de Ferro foi que o longa conseguiu fazer uma adaptação bastante fiel as HQs. Uma mistura certa de ação e comédia que acabou se tornando uma das marcas principais das produções da Marvel Studios. Além da atuação de gala de Robert Downey Jr., que conseguiu encarnar o personagem de uma forma primorosa.

O filme dirigido por Favreau só não foi melhor o filme de super-heróis de 2008, por conta de um tal Batman – O Cavaleiro das Trevas, que estreou no mesmo ano e foi sucesso absoluto de crítica e público. 

“I am the Iron Man”

Sim, definitivamente ele é o Homem de Ferro. A frase que Tony Stark diz no final do filme, encerra o longa de forma surpreendente e está eternizada na cultura pop.

Sempre que lembramos da cena, também lembramos de Robert Downey Jr. E eu não poderia encerrar esse texto sem falar um pouco sobre a atuação do homem que deu vida a este personagem.

Fato é que desde Hugh Jackman como Wolverine e Tobey Maguire como Homem Aranha, nenhum outro ator até aquele momento conseguiu de forma tão perfeita dar vida a um herói de quadrinho como Downey Jr.

Parece que ele simplesmente nasceu para o ser o Homem de Ferro. Claro que isso é fruto de um belo trabalho do ator que entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, estampava mais as páginas policiais dos jornais e tabloides de fofoca do que os cadernos de entretenimento e arte por conta dos problemas com abuso de álcool e outras drogas.



O astro que foi indicado ao Oscar pelo filme Chaplin deixou os dias de vício depois de passar longos períodos em clínicas de reabilitação. Estando sóbrio desde 2003, aceitou a chance de viver Tony Stark nos cinemas e através do seu carisma eternizou o personagem na 7ª Arte.

É possível afirmar que Homem de Ferro e os filmes posteriores dos Vingadores não seriam a mesma coisa sem a presença de Downey Jr.

Enfim, o pontapé inicial da Marvel Studios que na época aparentava ser uma aposta muito arriscada conseguiu de forma única introduzir um novo personagem na cultura pop, trabalhando a sua narrativa com profundidade e consolidando aquele que seria o líder do plano ambicioso do estúdio nos cinemas.

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